Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança.

“Heathcliff, it’s me, I’m Cathy, I’ve come home…” ♪

    

 Hoje estou aqui para falar sobre um livro que eu adoro!  Dentre todos os livros que li, “O Morro dos Ventos Uivantes” é sem dúvida o mais denso, sombrio, “pesado” e talvez, o mais apaixonado entre eles. Eu não digo pesado no sentido de ser cansativo ou algo do gênero. Não, não mesmo! A leitura, pra quem gosta de clássicos ingleses, é um presente. Ao dizer “pesado” eu me refiro á carga emocional presente na história. É muito amor, ódio, vingança! Os sentimentos se misturam constantemente!

       Tudo se tem início quando o Sr Earnshaw, em uma das suas inúmeras viagens, trás até o Morro dos ventos Uivantes uma criança pobre, chamada de “cigano” por alguns, mas de origem completamente desconhecida. A criança em questão é Heathcliff, que com o passar do tempo acaba virando o filho preferido do patriarca, despertando a ira e inveja de Hindley, filho legítimo de Earnshaw.  Ao contrário de Hindley, sua irmã Catherine se afeiçoa logo de cara a Heathcliff, nascendo ali a relação mais profunda que eu já presenciei em qualquer outro livro.

 

“Amo o chão que ele pisa, o ar que respira, tudo quanto toca e tudo quanto diz. Amo todos os seus olhares e todos os seus gestos,amo-o todo inteiro,completamente .É ele que me mantém viva. Se tudo mais o perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir, e se tudo mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria sensação de pertencer.”-Cathy

 

         Após a morte do Sr. Earnshaw, Hindley cercado de ódio e rancor, coloca Heathcliff para trabalhar como seu escravo. Cathy, percebendo a situação de Heathcliff, entende que ele não possui modos, muito menos instrução para ser seu marido. Embora seja completamente apaixonada por ele, Cathy resolve ficar noiva de Edgar Linton, um notável cavalheiro, herdeiro de uma granja próxima a sua. 

 

“Meu amor por Linton é como a folhagem da mata: o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, isso eu sei muito bem. E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária.”

 

         Após a escolha de Cath, Heathcliff, amargurado e decepcionado, vai embora do Morro dos Ventos Uivantes, retornando anos depois, rico e com modos de um perfeito cavalheiro, deixando á todos com imensa curiosidade. A partir de então, Heathcliff começa a colocar em prática seu plano de vingança contra todos aqueles que um dia foram contra ele e Cath ficarem juntos.

        Ambos os personagens, Heathcliff e Cathy são marcarntes. O primeiro pode ser descrito pela sua possesividade e violência. Já Cathy é a personificação do egoísmo e da vaidade. É interessante perceber que a narrativa do livro é intercalada, ora na visão de Nelly, a governanta, ora na visão do Sr. Lockwood, o inquilino.

      Apesar de todas as maldades que Heathcliff faz durante a narrativa, não consigo enxergá-lo apenas como um vilão. Acredito que estereotipá-lo apenas como tal seria uma falta de visão. Não consigo taxá-lo de vítima ou herói, pois o que ele é na verdade, é um ser humano. Acredito que ele seja um ser atormentado, guiado mais pela emoção do que qualquer outra coisa.

    Por mais sarcástico que possa parecer, acredito que o vilão desse livro seja exatamente o AMOR. Sim, ele mesmo!O amor que os personagens sentem destrói tudo á sua volta, e não sabendo lidar com o sentimento não correspondido, acaba nascendo dali a vingança, ódio e orgulho tão presentes na história.

        Uma das cenas mais emocionantes e marcantes s do livro é o momento que Heathcliff fica sabendo da morte de Cathy. Ali nós realmente percebemos a intensidade desse amor: ele a ama mais do que a si mesmo.

 

“Me deixe louco. Mas não me abandone neste abismo onde não posso encontrá-la. Não posso viver sem a minha vida. Não posso viver sem a minha alma.

 

         Salvo duas  interessantes observações: é possível fazer uma relação da história com o nome do livro, uma vez que “Whutering” pode ser relacionado” turbulência”. Podemos ainda relacionar o espaço da narrativa, isto é, a “granja”, ou “Charneca”, como é mencionado no livro, á vida dos personagens, já que é um lugar frio, ausente de cor e depressivo.

       Resumindo, ‘O Morro dos ventos Uivantes’ é um clássico. Diferente de qualquer outro livro, ele é ímpar. Sua leitura não é fácil, e como já mencionado, ele é intenso: ou você o ama, ou  o odeia! Da forma como ele me envolveu, eu escolhi amá-lo!

 

“Eu sou Heathcliff! Ele está sempre, mas sempre no meu pensamento; não como uma fonte de satisfação, que eu também não sou para mim mesma, mas como eu própria.                                                                Seja qual for a matéria de que nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais.”

 

Até a próxima…

Livro: O morro dos ventos Uivantes

Autor: Emily Brontë

Páginas: 300

Editora: Landmark

 

Postado por Ana Ronquetti (286 Posts)

Ana tem 25 anos é estudante de design gráfico, casada, realizada e feliz. Sua paixão por livros, filme e séries tem ultrapassado qualquer amor momentâneo. Livro preferido atual "A Vida Em Tons De Cinza"


15 comments on “{Resenha} O Morro dos ventos Uivantes – Emily Brontë

  1. hellyn on said:

    oi,
    quando eu li esse livro fiquei um pouco confusa porque uma hora ele fala no passado e depois no presente….. mas gostei muito. O ruim foi ter assistido o filme que acabou com tudo que eu imaginei quando li o livro. Mas também aconselho a quem ainda não leu leia que é muito bom

  2. Jéssica Rodrigues on said:

    Eu á li esse livro.E chorei muitoooo mesmo.Quase não terminei de ler ,pois é muito sofrimento.E como você também não consigo vê Heathcliff como vilão.O amor que eles sentiam foi mesmo que os destruiu.Eu amo esse livro.
    beijos ;D

  3. Rissia Ribeiro on said:

    Eu vou ser cincera ! EU NÃO TENHO PACIENCIA PRA LER ESSE LIVRO ! Cara eu fiz um esfero enorme pra ler o livro mas pra mim o livro era muitoooooo chato ! Nada contra quem gostou mas esse livro pra mim foi um tedio !

  4. Lívia Dias Ferreira on said:

    Nunca li esse livro, alguem acredita ? hahahahaha mas parece ser bom,ja que todo mundo fala dele,e etc. Quem sabe um dia pego pra ler :)
    Adorei sua resenha,e do jeito que vs disse,que você,ou escolhe ama-lo,ou odia-lo hahaha poucos livros são assim!

  5. Mayara Busnello on said:

    Adorei a resenha!!
    Comecei a ler este livro, mas parei na metade, a leitura é complicadinha mesmo (até porque o livro que tenho aqui é “antigasso” kkkkk). Quem sabe agora nas férias eu termine minha leitura.

    Beijo.

  6. Karolyne Kazakeviche on said:

    Não li, mas meu amigo me falou esses dias sobre esse livro! Essa capa é estranha, prefiro a outra, rs.

  7. Cássia Oliveira on said:

    Ai, é um clássico mesmo, e tenho muita vontade de ler! Aliás, tenho que começar a me dedicar um pouco mais aos clássicos! E gosto muito de livros com muita carga emocional!

  8. Suzy Xavier on said:

    Já li, a Cathy filha é tão doida quando a Catherine mãe.

  9. Ayla on said:

    uauu
    suas resenhas me surpreendem cada vez mais,parabéns.. ja estou super ansiosa para ler o livro, se hoje estou viciada na leitura devo a vc e suas dicas
    incrivel a emoçao que vc coloca nas resenhas
    aguardando ansiosamente a proxima e correndo até a livraria mais proxima para comprar o morro dos ventos uivantes

    • Samy Rabelo on said:

      É legal qdo a gente acha um canal literário com resenhas bem escritas né Ayla! Tbm gosto desse cantinho!

  10. Samy Rabelo on said:

    Ainda não li esse livro, tenho vontade de ler, mas a vontade sempre passa! uhahuauha

  11. brunoooh on said:

    e legal pra caramba

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